De costura à química industrial, servidores da Agepen compartilham conhecimento para combate ao coronavírus


Tatyane Oliveira Santinoni Categorias: Fonte: Portal do Governo de Mato Grosso do Sul 81 visualizações

Campo Grande (MS) – Servidores da Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) estão indo além das atribuições normais e aplicam seus conhecimentos técnicos e científicos em ações que asseguram maior efetividade na prevenção à Covid-19 dentro das unidades penais de Mato Grosso do Sul e fora delas. As iniciativas têm ajudado a garantir proteção não só a policiais penais e custodiados, como também, vêm alcançando instituições públicas e assistenciais em todo o estado.

Logo na primeira semana da pandemia, em março deste ano, com escassez de produtos no mercado, a produção própria de álcool 70, sabão líquido e hipoclorito de sódio foram cruciais para sanitização constante do ambiente carcerário e higienização durante o desempenho dos trabalhos de servidores penitenciários, uma das atividades da segurança pública consideradas essenciais para a sociedade.

Nunes usou sua formação em Química para garantir a confecção em larga escala

Foi no Estabelecimento Penal “Jair Ferreira de Carvalho” – presídio de Segurança Máxima do Complexo Penitenciário da capital – que a fabricação teve início. Conhecimentos científicos em Química e Microbiologia do servidor Osmar Nunes de Freitas garantiram confecção em larga escala desses materiais, atendendo a todas as unidades penais e assistenciais de Campo Grande, impedindo a proliferação de vírus e bactérias e garantindo a proteção de internos e servidores penitenciários.

“Em um momento de necessidade como esse, acreditei que seria importante ajudar minha instituição para contribuir com a sociedade como um todo, e acredito que é para isso que a gente se forma e busca conhecimento”, afirmou Nunes, que é formado há 14 anos em Química e instruiu internos na confecção de produtos de limpeza e higiene. 

 

Costurando Cidadania

A arte da costura foi um dos conhecimentos mais aplicados nos últimos meses e hoje está presente em 22 presídios do Estado, representando polos de produção de máscaras e outros Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) em unidades penais de MS, já tendo sido confeccionadas mais de 150 mil peças. Nesse contexto, de forma voluntária, servidores penitenciários demonstraram que, com dedicação e força de vontade, é possível unir esforços e colocar em prática a cidadania.

“Um gesto simples pode fazer a diferença em momentos tão peculiares como este que estamos vivendo”, é o que revela o servidor Genésio José da Silva, que utilizou seu amplo conhecimento em malharia e instruiu internos do Estabelecimento Penal Masculino de Regime Fechado de Ivinhema.

Genésio comemora poder contribuir para a profissionalização de internos e ajudar a garantir doação de máscaras para quem precisa

 

Com 18 anos de experiência na área de confecção, Genésio fez os moldes das máscaras nas medidas adequadas, ensinou o manuseio da máquina industrial e hoje a produção está a todo vapor. Com sete internos trabalhando atualmente, já confeccionaram mais de 22 mil peças no local.

Futuramente, o intuito é ampliar a produção para outros tipos de costura, com novos desafios, como confecção de bermudas, camisetas e calças. “É gratificante estar ajudando alguém de alguma forma e aqui estamos contribuindo duplamente, seja para o lado social com a doação das máscaras, seja para o aperfeiçoamento profissional do interno, que pode utilizar o conhecimento para se recolocar no mercado de trabalho”, declarou Genésio, que atua há 11 anos na Agepen.

Em Bataguassu, foco para produtividade

Em Bataguassu, a iniciativa veio do agente Percival Góes Júnior juntamente com a direção do presídio, que utilizam as máquinas doadas pelo Departamento Penitenciário Nacional (Depen), por meio do Programa de Capacitação Profissional e Implementação de Oficinas Permanentes (Procap), para ocupar produtivamente os detentos no combate à pandemia.

Costureiro profissional e mecânico de máquina de costura industrial há 24 anos, Júnior, que atua como chefe de equipe de plantão, utilizou a experiência e seus momentos de folga para capacitar os reeducandos. “Quando entreguei a primeira remessa nas mãos do diretor, fiquei muito feliz e aos poucos fomos aprimorando a produção. Apesar das limitações, conseguimos ajudar de alguma forma e assim vamos atravessando essa crise juntos”, desabafou o servidor que está lotado há 15 anos na unidade penal de Bataguassu.

Chefe de plantão, Júnior utilizou a experiência e seus momentos de folga para capacitar os reeducandos.

Higiene Ocupacional

Elio é pós-graduado em Higiene Ocupacional com experiência em segurança do trabalho

Quem também compartilhou conhecimento para fazer a diferença nas ações focadas na mitigação de riscos de contaminação da doença foi agente Elio Anacleto da Silva Filho, do Estabelecimento Penal de Corumbá .

Pós-graduado em Higiene Ocupacional com formação e ampla experiência na área de desenvolvimento e aplicação de procedimentos de segurança do trabalho e saúde ocupacional, o policial penal instruiu a direção do presídio no uso de estufas na portaria da unidade para esterilizar documentos em papel. A ideia foi posteriormente copiada por outras unidades da Agepen.

Elio também criou um grupo de Whatsapp temático exclusivo para o repasse de informações e orientações específicas sobre o assunto.

“Como tenho um certo conhecimento a respeito de epidemiologia, então eu comecei a atuar mais na questão de barreiras e sugestões de assepsias, como forma de impedir a entrada de vetores externos para dentro da unidade penal e procedimentos para evitar a contaminação”, explicou.

Exemplos

Para o diretor-presidente da Agepen, Aud de Oliveira Chaves, esses são apenas exemplos de inúmeros servidores que estão aplicando seus conhecimentos técnicos dentro do sistema penitenciário e contribuindo para a não incidência da Covid-19 entre os apenados do estado, bem como, em outras necessidades inerentes ao dia a dia do sistema prisional.

“A diversidade de formações e a dedicação ao trabalho dos profissionais da agência penitenciária tem possibilitado atitudes eficazes e resposta imediata em tempos de crise, primando sempre pela saúde dos custodiados e a atuação preventiva dos servidores”, parabenizou.

Segundo dirigente, “além dos conhecimentos técnicos divididos pelos profissionais, somam a essas ações efetivas a atuação de servidores responsáveis pelos setores de trabalho, administradores, da área de saúde e, em especial, os diretores, que não têm medido esforços para tornarem possível a produção dentro das unidades penais, assim como, as equipes de segurança que garantem a disciplina para que os trabalhos aconteçam”.

As ações de enfrentamento à pandemia em unidades prisionais e produção de EPIs contam com apoio das secretarias Estadual e municipais de Saúde, Poder Judiciário, Ministério Público, Justiça do Trabalho, Ministério Público do Trabalho, entre outros.

Tatyane Santinoni e Keila Oliveira, Agepen
Foto: Divulgação Agepen