Trade turístico de Corumbá, maior destino de pesca, manifesta apoio à cota zero


Pescador esportivo que vem ao Pantanal já pratica pesque-solte em outras regiões. Foto: Saul Schramm Silvio Andrade Categorias: Fonte: Portal do Governo de Mato Grosso do Sul 887 visualizações

Campo Grande (MS) – A decisão do Governo do Estado em proibir a captura e transporte de pescado das bacias dos rios Paraguai e Paraná, a partir de 2020, recebeu apoio integral da Associação das Empresas de Turismo de Corumbá (Acert). A entidade reafirmou sua posição, já declarada anteriormente, em relação à cota zero. Corumbá tem a maior estrutura fluvial (27 barcos-hotéis) para a pesca esportiva e recebeu este ano mais de 25 mil pescadores.

“O pesque-solte é uma reivindicação que fazemos há pelo menos dez anos”, afirmou o presidente da Acert, empresário Luiz Antônio Martins. “A natureza não consegue acompanhar o extrativismo e temos percebido a redução do estoque pesqueiro a cada ano. A cota zero é uma medida preservacionista e vai beneficiar o nosso negócio, pois, quando mais preservamos, mais mercado teremos para a pesca esportiva no Pantanal”, sustentou.

Apostando no futuro

Martins lembrou que foi o trade turístico de Corumbá o primeiro segmento a abraçar a iniciativa do município em decretar a moratória para o dourado, em vigor desde 2012, e defende um tratamento diferenciado para o Pantanal em se tratamento de legislação de pesca. “É uma região única e preservada, distante 200 km da civilização e difícil acesso, que tem potencial para um turismo de pesca e contemplação sem concorrentes”, pontuou.

Luiz Martins, da Acert: “Queremos uma legislação específica para o Pantanal”. Foto: Edemir Rodrigues

Segundo o empresário, a nova legislação pesqueira pode reduzir em 20% o fluxo de pescadores na região em 2020, porém a perspectiva de crescimento para os anos seguintes deixa o setor extremamente otimista. “Estamos apostando no futuro. Haverá mais peixe, vamos reconquistar os pescadores que trocaram o Pantanal pela Argentina e outros estados. Além disso, o perfil do nosso pescador mudou, ninguém quer levar mais peixe”, observou.

Cenário otimista

Para a empresária Joice Santana, 47 anos, os quais 20 anos dedicados ao turismo de pesca em Corumbá, as perspectivas para o próximo ano são as melhores possíveis. “O simples anúncio da cota zero já criou um novo cenário, onde pescadores que procuraram outros destinos estão voltando ao Pantanal com essa postura preservacionista do nosso governador”, disse.

Ela afirmou que seus clientes já praticam o pesque-solte há pelo menos dois anos e, cada vez mais, essa consciência aumenta entre os grupos que passam cinco dias pescando na região em pacotes oferecidos por barcos-hotéis. “Nosso pescador apoia essa proibição porque já não levam o peixe do Pantanal e de outros destinos que visitam. Acho até que demorou demais para tomar essa decisão. Hoje quando falamos que é cota zero o cliente vibra”, comentou.

Joice Santana, no porto-geral de Corumbá: “Se tem o peixe, o pescador prefere o Pantanal”. Foto: Edemir Rodrigues

Melhor destino

Enquanto era entrevistada sobre o decreto estadual, Joice fez contato por celular com o empresário Émerson Ferraz, 55 anos, praticante de pesca esportiva há três décadas. Ele deu seu testemunho, afirmando que o Pantanal, com a cota zero, se tornará o maior destino de pesca esportiva do Brasil. “A questão não apenas pelo fato de que haverá mais peixe, o Pantanal é um lugar único pela sua beleza e tem a melhor estrutura embarcada”, elogiou.

Ferraz é um dos operadores no Espírito Santo em pesca esportiva, há 22 anos, e parte de sua clientela prefere o Pantanal. “O Pantanal era o único lugar onde nosso cliente ainda podia levar o peixe. A cota zero repercutiu muito bem e acredito que o volume de pescadores crescerá em 2020. Quando escolhe o Pantanal, nosso cliente não pensa apenas no peixe, mas no desfrute de um lugar incomparável, fantástico, que tem vida, e no bom atendimento”, frisou.

Texto: Sílvio de Andrade – Subsecretaria de Comunicação (Subcom)